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Obra retratada na Igreja Matriz de Lebon Régis é única no país

agosto 8, 2017 by diocesedecacador in Notícias with 0 Comments

Matriz Lebon RégisPara concluir o trabalho, durante o inverno de 1964, Manoel Francisco Dias se deslocou a cavalo, até a cidade

Segurando um pequeno pedaço de pano, do tamanho de uma folha de caderno e com um globo terrestre pintado ao centro, Emília Greboge se voltou a um homem que acabara de chegar a cavalo à paróquia. “Manué, a partir de agora é com você”, resmungou Irmã Felícia, após entregar o desenho para ele.

Hoje, Seu Manoel não está mais aqui para contar como fez a composição. A nossa sorte é que o antigo professor deixou, como herança, para seus filhos e suas filhas, relatos desta história. Ela aconteceu na primeira metade da década de 60 do último século.

Ao receber o material, Manoel Francisco Dias assumiu a responsabilidade de criar uma das obras de arte mais impressionantes já vistas em Lebon Régis. Usando uma sala de aula do Frei Caneca, quando o colégio ainda pertencia às freiras, ele cumpriu o desafio em quatro dias.

Seu Manoel morava na localidade de Anta Morta, no interior de Lebon Régis, quase no limite com Santa Cecília. De manhã, ele dava aula na escolinha da comunidade. À tarde, ia para roça.

Era casado com Dona Honorina e tinha quatro filhos. Salete, a mais nova, é quem nos repassa esses dados. Para ela, o principal legado deixado pelo pai.

O ano era 1964. No Brasil, começava a fatídica ditadura militar. Em Lebon Régis, fazia frio. Naquela época, o inverno era rigoroso. Seu Manoel, um homem conservador, conforme aponta a filha – esta mais alinhada à Esquerda – recebera um pedido. A sua tarefa era desenhar o mapa-múndi que vemos, hoje, em frente à Igreja Católica.

Montado em seu cavalo, quase como um pagador de promessa, ele deixou a sua família no sítio e migrou à cidade. Terminaria a obra em menos de uma semana. O animal ficou encilhado em um pasto que tomava conta da porção esquerda da Avenida Santo Antônio, logo em frente à paróquia de Lebon Régis.

Devoto do santo casamenteiro, de Nossa Senhora Aparecida e de São João Maria, o professor, que dá nome a uma praça do município, fez o trabalho de maneira voluntária. Seu Manoel faleceu em 2001. Naquele ano, ele já estava cego e também convivia com problemas nas articulações da mão direita.

Desgastados, devido à idade avançada, os seus dois principais aliados na construção do monumento davam sinais de adeus. Seu Manoel não conseguiria viver muito tempo, além dos 72 anos de serviços prestados à população, à história e ao futuro de Lebon Régis.

Mesmo sem enxergar, orgulhava-se do trabalho realizado na paróquia e falava para todo mundo que o globo, com o Vaticano no meio, havia sido feito por ele. “Sempre que alguém ia a nossa casa, meu pai falava do mapa da Igreja Católica. Ninguém escapava da conversa”, brinca Salete.

Meio século após a construção, a obra permanece presente na vida da população lebonregense.

O desenho foi feito sob a técnica do quadriculado. Seu Manoel utilizou folhas de papel para chegar ao tamanho exato. Coladas umas as outras, elas formariam um mapa com sete metros de largura e nove de comprimento.

Assim como o restante da paróquia, foi construída, a partir de um mutirão e por meio de doações. Atualmente, está sendo reformada. Os restauradores responsáveis pela obra contam que já fizeram o trabalho em muitas cidades do Brasil. Não há nada parecido. É peça única no país.

Juliano França – O Lebonregense
Edição 6, julho de 2017.

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