Diocese de Caçador

Nossa realidade

A caminhada pastoral da Diocese de Caçador é bastante rica. Mas há aspectos da realidade da Diocese que desafiam nossa ação pastoral.

A história desta região traz consigo a marca das lutas de um povo simples e a “força” de interesses governamentais e privados: a Guerra do Contestado. Há aproximadamente 90 anos, 1912 à 1916, iniciou-se uma luta de resistência popular muito significativa para o povo caboclo desta região. A luta destes homens e mulheres aconteceu porque eles foram sendo expulsos de suas terras, por causa das grandes empresas de colonização, madeireiras e ferroviária. Com a aprovação do governo, as empresas se instalaram e se apropriaram das terras e das riquezas, através dos “grandes”. Uma luta de resistência popular que se transformou em guerra com o envolvimento do exército nacional e, pela primeira vez, com o uso de avião. Muito sangue derramado, irrigou o chão e a luta do Contestado.

A população tinha muitas necessidades, em todos os aspectos. Os monges, especialmente João Maria, com simplicidade e empatia, tornaram-se um mito e um símbolo para esta gente. A devoção à cruz, entre os caboclos, foi muito incentivada por eles, e tinham o costume de plantá-la por onde passavam. O povo – com fome, doente e sem terra – foi se identificando com a cruz, com aqueles que a plantavam e com Aquele que a carregou primeiramente, como sinal de redenção e libertação. A religiosidade sempre foi uma riqueza do caboclo. Foram estes dois fatores fundamentais que uniram os caboclos no movimento do Contestado. Homens e mulheres lutaram acreditando que sua luta era justa e sagrada. Opuseram-se aos poderes dominantes; cultivaram e implantaram os redutos, verdadeiras comunidades de fé e vida, em defesa e manutenção da vida.

Neste período, destacamos também a colonização européia de alemães, italianos e poloneses, vindos do Rio Grande do Sul e de outras regiões do país. A chegada dos europeus, nesta região, incentivada pelo governo e pelas elites do país, foi também marcada por sofrimento e exploração.

A força histórica dos fracos e a luta incentivam, a partir desta memória, novas formas de luta e de organização. Este desafio impõe-se de maneira urgente e profunda na Diocese de Caçador. Há que se aprender da experiência de fé do povo caboclo, elementos para realizar o sonho e a Igreja que se quer na Diocese de Caçador.