Diocese de Caçador

Palavra do Bispo

Mensagem do bispo para o mês de julho

“Louvado sejas meu Senhor pela irmã e mãe terra que com seus frutos nos sustenta e nos alimenta” (São Francisco de Assis).

O Cântico de São Francisco de Assis, cantando os louvores do Senhor sobre toda a criação, nos conduz para a lida dos nossos estimados agricultores.

Se uma categoria é esquecida e abandonada em nosso país é a vida dos nossos agricultores. Deles vem o alimento que nos sustenta.

Somos criaturas participantes da bela e majestosa obra de Deus. Dentre todas as criaturas, talvez a mãe e irmã terra é a mais explorada, castigada, agredida por agrotóxicos, pelo orgulho e prepotência humana. O excesso da vontade de explorar, castiga e enfraquece seu teor e contamina com ela todas as outras criaturas. A rapidez com que o ser humano trabalha na busca do lucro perverso e insaciável, destrói a mística do cuidado, do respeito e da acolhida da mãe natureza. Mãe que tudo produz, se renova e condiciona todas as criaturas ao sustento equilibrado e mantém o ciclo prodigioso criando, desenvolvendo e alimentando todas criaturas. Prolifera-se o comportamento do descuido e da exploração da terra. Eis o que diz o livro do Gênesis sobre a criação do mundo: “E Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus ele os criou, macho e fêmea os criou. E Deus os abençoou e disse: “Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e a dominem. Submetam os peixes do mar, as aves do céu e todos os seres que se remexem sobre a terra”. E Deus disse: “Vejam! Eu lhes dou as ervas que semeiam sementes, ervas que estão sobre a terra inteira; e todas as árvores com frutos que semeiam sementes: será alimento para vocês. E para todas as feras da terra, para todas as aves do céu e para todo bichinho da terra que tenha vida, dou a relva como alimento. E assim foi. E Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom” (Gn 1,27-31).

No mês de julho lembramos dos agricultores, trabalhadores da terra que plantam, cuidam e dominam a terra, obra dada por Deus. Glorifiquemos a Deus pelos agricultores que trabalham, buscam o sustento e nos sustentam com os alimentos produzidos com o sacrifício de seu trabalho. Infelizmente o agronegócio, fonte de exploração e escravidão que, em medidas desproporcionais, explora a mãe terra e induz a sociedade a aceitar os frutos da ganância que empobrece e destrói a sustentabilidade do trabalho dos nossos agricultores.

Santa Catarina se caracteriza pela agricultura familiar. Cada vez mais condenada à morte em vista da exploração e ignorância dos governos que, em vez de incentivar a produção de alimentos saudáveis, prefere a mega produção, onde uns poucos são os que lucram e muitos, milhares e milhares de famílias, são despejadas pela falta de incentivo e de boas políticas públicas para a agricultura. Eis a razão dos inchaços nas periferias das cidades, a urbanização desordenada e a pobreza crescente. Poucos armazenam todo o lucro e os demais são feitos escravos.

Na festa do agricultor queremos elevar nossas preces a Deus e buscar na fonte da unidade, da fraternidade e da solidariedade, iniciativas que protejam os nossos agricultores e, os alimentos que produzem possam nos garantir a saúde. É preferível produzir menos, mas com qualidade, do que condenar nossa saúde, o maior dom que Deus nos deu.

Que Nossa Senhora Aparecida abençoe todos os agricultores e todos os motoristas que transportam os nossos alimentos.

A força da união, a organização dos agricultores em associações e verdadeiros sindicatos, possa resgatar a paixão pela atuação na terra, no cultivo de alimentos saudáveis e na busca de uma terra sem males.

Dom Frei Severino Clasen
Bispo Diocesano de Caçador

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