Diocese de Caçador

Horizontes da Nossa Ação

Objetivo Geral

É do chão de nossas comunidades que brota toda a missão confiada a nós, discípulos e discípulas de Jesus. Dela também brota o objetivo de nossa caminhada. Por isso, toda nossa ação deve ter como iluminação e inspiração, o Objetivo Geral da Diocese de Caçador.

Na assembléia de 2004, em sintonia com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e com o Regional Sul IV da CNBB e, ao mesmo tempo, inspirados pelo projeto Nacional de Evangelização “Queremos ver Jesus, Caminho, Verdade e Vida”, aprovamos o novo objetivo da Diocese, que é:

“Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, promovendo a dignidade da pessoa humana, renovando a comunidade, formando o povo de Deus e uma sociedade justa e solidária, sendo Igreja participativa, comprometida com os problemas do povo, libertadora e missionária, a caminho do Reino definitivo”.

Um Objetivo deve iluminar nosso agir pastoral. Por isso, precisamos entendê-lo melhor, para que possamos colocá-lo em prática.

Evangelizar

O Papa Paulo VI diz que, evangelizar é em primeiro lugar cristificar, é chegar a atingir e como que transformar pela força do Evangelho, os critérios de julgar os valores vividos pelo povo, os centros de interesse, a maneira de pensar, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade. É preciso evangelizar de maneira vital, em profundidade até as suas raízes: a cultura e as culturas humanas, a partir sempre da pessoa e fazendo continuamente apelo para as relações das pessoas entre si e com Deus (DGAE 13).

Anunciando Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida

Toda a ação evangelizadora há de considerar o exemplo do próprio Jesus Cristo. Teremos como inpiração o Projeto Nacional de Evangelização, que nos convida a conhecer mais de perto a pessoa de Jesus Cristo e a sua proposta. Quem se compromete com a proposta irá anunciá-la a outros, com palavras, atos, atitudes, com uma vida transformada pelo Evangelho.

O anúncio do Evangelho de Jesus Cristo, de sua pessoa, vida, morte e ressurreição visa, possibilitar o encontro da pessoa com Cristo, ajudá-la na adesão a Ele e no compromisso de segui-Lo na tarefa missionária por Ele confiada (DGAE 93) “Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados” (EN 22). “Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho” (1Cor 9,16).

Promovendo a dignidade da pessoa humana

“Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou” (Gn 1,27) (DGAE 65). Afirmar que Deus cria o mundo e o ser humano, significa afirmar a liberdade de Deus. Significa também reconhecer que o homem e a mulher, criados semelhantes ao Criador, são pessoas dotadas de liberdade e chamadas à criatividade, à responsabilidade e ao amor de doação (DGAE 71).

“A justiça exige que se dêem condições de viver com dignidade e com oportunidades iguais. Para a Igreja, o amor ao ser humano se concretiza na promoção da justiça. A solidariedade ajuda-nos a ver o outro, não como um instrumento qualquer que se explora a baixo preço, a capacidade de trabalho e a resistência física, para o abandonar quando já não serve, mas, como um nosso semelhante?”. (DGAE, 21 e 22)

O desafio: A construção da identidade pessoal e da liberdade autêntica numa sociedade consumista. Ninguém deseja ser dependente.

O desejo de autonomia se manifesta:

  • na reivindicação de direitos individuais; na participação nos destinos da sociedade; na liberdade de escolha e decisões da própria pessoa, liberta de padrões e regulamentos.

São desafios à promoção da dignidade da pessoa humana as várias formas de desrespeito à vida, como: a manipulação genética, o aborto, a eutanásia, a esterilização, a comercialização do sexo e do corpo, todo tipo de violência. (DGAE 68).

Renovando a comunidade

A organização de nossa sociedade, incentiva o isolamento das pessoas, o egoísmo e a competição. O isolamento das pessoas é favorecido:

  • pelo enfraquecimento da família e da vida comunitária;
  • pela violência.

Tudo isto gera incerteza, desconfiança, medo.

A modernidade quer subjugar todo mundo ao mercado e ao poder, pouco se importando com os valores humanos.

A cultura brasileira, porém, conserva muitos valores:

  • sentido da festa,o prazer da convivência, a abertura ao diferente, e a mistura de raças e povos… (DGAE 112).

Renovar a comunidade significa:

  • criar condições para que as pessoas sejam fraternas, solidárias, acolhedoras, promovam o diálogo, se sintam bem e realizadas. (cf. DGAE 113).

Formando o povo de Deus

Desde o Antigo Testamento, Deus foi formando um povo que lhe fosse fiel e que preparasse a chegada do Messias. Com ele estabeleceu uma aliança e lhe deu meios e mensageiros. “Para que sejam o meu povo e eu seja o seu Deus” (Ez 37,23).

O Povo de Deus continua se aperfeiçoando na comunidade de salvação que é a Igreja, novo Povo de Deus, comunidade congregada daqueles que crêem em Cristo (LG 9). Formar o Povo de Deus é também construir a comunidade para viver em comunhão e participação.

A grande comunidade eclesial, expressa sua vida em comunidades concretas através da comunhão na fé, vivida, celebrada e testemunhada. A nova evangelização busca criar novas comunidades e exige profunda revisão nas estruturas comunitárias (DGAE de 1995-1998, 20).

E uma sociedade justa e solidária

A sociedade brasileira, é hoje, uma das mais desiguais do mundo (DGAE 152). Não havia necessitados entre eles (At 4,34).

Um dos objetivos da ação evangelizadora da Igreja no Brasil é participar da construção de uma sociedade justa e solidária.

Grandes são os desafios e, para superá-los, propomos três linhas de ação:

  • Iniciativas e práticas solidárias.
  • Reivindicação de políticas públicas.
  • Participação política e reflexões prospectivas. (DGAE 156).
  • Sendo Igreja participativa

Quando Jesus organizou a Igreja, para ser continuadora de sua obra, agiu de forma participativa. Escolheu apóstolos, ensinou-lhes e enviou-os (Mc 13,36ss). A Igreja Participativa encontra seu sentido na unidade de todos (Jo 15,12).

Ser Igreja participativa implica em participar da comunidade eclesial e, em especial, dos Grupos de Reflexão, da ministerialidade, na leitura popular e orante da Bíblia, da celebração das lutas, esperanças e vitórias populares; dos Conselhos Pastorais Comunitários, Paroquiais e Diocesano – espaço de participação e democratização, através da organização pastoral.

Comprometida com os problemas do povo

A história do Povo de Deus, descrita no Antigo Testamento, é um testemunho das ações de Deus em favor de seu povo.

Em Jesus vemos a razão da luta contra os problemas que afligem o povo. Sua vida possui este grande objetivo: libertar o povo de todos os sofrimentos. Jesus luta contra os males que impedem a vida e se posiciona contra todas as formas de opressão: a fome (Mc 6,30-44); as doenças e a tristeza (Mc 4,24); os males da natureza (Mt 14,32); os demônios e maus espíritos (Lc 4,13); a ignorância (Mt 9,35); a falta da consciência crítica frente à realidade e aos líderes (Mc 1,22); o abandono e a solidão (Mt 9,36); os ensinamentos vazios dos opressores (Mt 23,13-15); as leis que oprimem as pessoas e impedem o seu crescimento (Mt 12, 1-5); os opressores que se fazem passar por benfeitores da nação (Lc 22,25); o medo (Mt 28).

Jesus não se apresenta apenas como alguém que se posiciona ?contra? o que estraga a vida e a dignidade humana, mas também, como quem pratica e vive a justiça, em favor dos menos favorecidos.

A Igreja é comprometida com os problemas do povo quando participa de iniciativas e práticas solidárias (Coletas, Mutirão para Superação da Miséria e da Fome, reivindicação e controle de políticas públicas, Comitês da Lei 9840…).

Libertadora

Ao longo do Antigo Testamento vemos diversas intervenções libertadoras de Deus. A mais eloqüente e referencial é a libertação da escravidão do Egito. É iniciativa do Deus libertador Ex 3,7-10) e vem acompanhada de inúmeros sinais: a passagem do Mar Vermelho (Ex 14); as águas do mar (Ex 15,22-26); as codornizes e o maná (Ex 16); o rochedo do Horeb (Ex 17). Todos estes sinais marcam a força e presença libertadora de Deus ao longo da dura caminhada pela conquista da terra prometida.

No tempo de Jesus havia muita gente explorada por um sistema social injusto. A Palavra e a Obra de Jesus foi a grande Boa Notícia aos pobres. A Boa Nova da Libertação: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10).

“O amor de Deus que nos dignifica radicalmente se faz necessariamente comunhão de amor com os outros homens e participação fraterna; para nós, hoje em dia, deve tornar-se, sobretudo obra de justiça para com os oprimidos, esforço de libertação para quem mais precisa. De fato, ninguém pode amar a Deus a quem não vê, se não ama o irmão a quem vê” (DP 327).

Somos Igreja libertadora quando oferecemos um relacionamento mais humano e humanizador; ajudamos as famílias na busca de uma realização mais plena à luz dos ensinamentos da Igreja; quando defendemos os direitos das famílias e das pequenas comunidades; damos atenção ao problema da violência e da droga; serviço de prevenção de HIV e assistência a soropositivos; educação crítica para o uso dos meios de comunicação… (DGAE 123).

E missionária

A primeira forma de evangelização é o testemunho. A missão é de todo o povo de Deus, e isto significa que é tarefa de todos os batizados (cf. RMi 71). “Vão e façam com que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a observar tudo o que ordenei a vocês” (Mt 28, 19s).

Entre os leigos, que se tornam evangelizadores, contam-se, em primeiro lugar, os catequistas que, com espírito apostólico, prestam um singular e indispensável auxílio à causa da dilatação da fé e da Igreja” (cf. RMi 73). E “ao seu lado, é preciso recordar outras formas de serviço à vida da Igreja e à missão: animadores da oração, do canto e da liturgia; coordenadores de comunidades eclesiais de base e de grupos bíblicos; encarregados das obras caritativas; administradores dos bens da Igreja; dirigentes das várias associações de apostolado.” (cf. RMi 74).

A caminho do Reino definitivo

Confiantes na palavra de Cristo, olhemos para frente e avancemos para águas mais profundas. Na causa do Reino, não há tempo para olhar para trás, menos ainda para ficar de braços cruzados. Há muito trabalho à nossa espera. Por isso, devemos pôr mãos a uma eficaz programação pastoral, tendo sempre presente o primado da graça. (DGAE 210)

Estamos a caminho do Reino definitivo. Maria é nossa companheira. Contamos com a presença do peregrino de Emaús. Ele aquece os nossos corações com suas Palavras. Deixa-se reconhecer ao partir do Pão. Transforma-nos em testemunhas que anunciam aos irmãos a Boa Nova: Vimos o Senhor! (Jo 20,25). (DGAE 211)