Diocese de Caçador

Desafios

Em nossa caminhada de cristãos, temos que ter nosso olhar sempre voltado para os sinais dos tempos. O bom evangelizador caminha com um pé na realidade e outro na Palavra de Deus. É com esta compreensão que conseguiremos ver os desafios da pastoral.

Os desafios aqui apresentados são frutos deste confronto: das interpelações da realidade, onde milhares de pessoas participaram do processo, com a iluminação bíblica e dos documentos eclesiais. Deste confronto, quatro foram os desafios apontados e que, nos próximos quatro anos, teremos que dedicar maior tempo e esforços para superá-los.

As Pastorais Sociais

A missão da Igreja é no mundo. “Não peço que os tires do mundo” (Jo 17,15), falou Jesus a seu Pai, referindo-se a seus discípulos. A presença é a condição básica para a Igreja cumprir a missão, como o Senhor, que se encarnou, se fez presente, assumiu a realidade social de seu tempo, e a partir daí fez acontecer a sua ação salvadora.

As “pastorais sociais” devem ser presença da Igreja na sociedade e trazer o mundo para dentro da Igreja. Uma presença lúcida, consciente, organizada e articulada com a sociedade, para que aconteça a missão plena de Jesus. Uma presença de serviço à sociedade.

Que serviços a Igreja deve prestar na sociedade?

Em nossas assembléias manifestamos a necessidade da vivência evangélica e da inserção concreta na realidade, uma “vivência da fé” encarnada na realidade. As Pastorais Sociais devem ser um serviço da Igreja para a sociedade, mas também acolher os clamores na sociedade e trazê-los para a Igreja, para que ela vivencie melhor os apelos do Evangelho.

Para isso, as pastorais sociais são desafiadas a organizar e viabilizar projetos coletivos, alternativos, para superar o individualismo e enfrentar os grandes problemas sociais relacionados ao desemprego, ao empobrecimento, à exploração e à violência contra as mulheres e as crianças, ao êxodo rural, à agricultura, à ecologia, à saúde, à educação, ao analfabetismo e às drogas.

Formação Integral

A formação integral e permanente acompanha os padres e as lideranças das comunidades em toda a sua existência. A ação evangelizadora, exige do evangelizador a disponibilidade para a formação. O discípulo, para seguir o Mestre, tem que parar para ouví-lo (Lc 10,38-42) e alimentar-se sempre que possível. Fazer como Jesus, que se retirava para rezar (Lc 5,16).

Esta formação integral e permanente é para todo o Povo de Deus, mas, de maneira especial, para o clero e as lideranças. “Estes são peças-chave na passagem de uma Igreja-massa para uma Igreja ?comunidade de comunidades?, de pequenas comunidades”. Assim nos alertam as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja de Santa Catarina 2004-2007 (DAESC, nº18):

Para que isso aconteça, os diferentes conselhos comunitários, paroquiais e diocesano deverão fomentar um processo permanente de formação de lideranças, destacando os princípios comunitários, as quatro características da diocese, a consciência crítica e de cidadania, a ligação entre fé e vida. Neste processo de formação devem-se contemplar as dimensões humana, afetiva, espiritual, teológica e pastoral; respeitar a diversidade cultural; favorecer o desenvolvimento dos carismas pessoais a serviço da missão; garantir uma qualificação mais especializada, segundo os vários campos da pastoral.

Além da responsabilidade para com a sustentabilidade financeira da comunidade, os conselhos devem primar pelo processo de formação permanente, priorizando a formação do clero e das lideranças.

Dimensão Missionária e Celebrativa

“A missão de Cristo Redentor, confiada à Igreja, está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No final do segundo milênio, após a sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade, mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço. É o Espírito que impele a anunciar as grandes obras de Deus!” (RMi 1).

A responsabilidade missionária é de todos os cristãos. A nós, como o apóstolo Paulo, “nos é dada esta graça de anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo” (Ef 3,8). “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9,16).

Nesta dimensão missionária, queremos através do anúncio e do testemunho, estimular as pessoas na busca da verdade, que é Cristo, respeitando sua liberdade e escolha. Isso só será possível, primeiramente, se tivermos uma boa Pastoral da Acolhida. Acolher bem todos os que vêm ao nosso encontro. Ser igreja hospitaleira.

Um segundo aspecto deste desafio, além de acolher bem todos os que vêm ao nosso encontro, é ir ao encontro dos outros, retomar a prática evangélica das visitas às casas. Fazemos, na maioria das vezes, da igreja (templo), o único lugar de anúncio e testemunho da Palavra. Na “visitação”, a pessoa enviada por Deus, representa o próprio Deus que visita o seu povo. É o Deus que vai ao encontro dos mais necessitados: os jovens, os adolescentes, os doentes, as prostitutas, os drogados, os migrantes.

A ação missionária, bem desenvolvida, leva as pessoas à celebrar o mistério anunciado. As celebrações devem acolher estes “neo-cristãos” cativados pelo anúncio, para que se sintam parte integrante da comunidade que celebra. A Mesa, celebração da Palavra e da Eucaristia, junto com o Mistério Pascal, deve acolher também as conquistas e sofrimentos da vida do Povo. Que os momentos celebrativos sejam encarnados na vida do povo e que respeitem a piedade popular.

Promover Iniciativas Ecumênicas e de Diálogo Inter-Religioso

O Concílio Vaticano II considera as diversas religiões dos povos ordenados ao único Povo de Deus e declara nada rejeitar do que há de verdadeiro e santo nessas religiões. O Espírito Santo age “sem limites de tempo ou espaço”, “fazendo germinar as ?sementes do Verbo?” nas religiões e nos esforços humanos à procura da verdade e do bem (cf. RMi 28). Por isso, “as relações da igreja com as Religiões, baseiam-se numa dupla consideração: ?respeito pelo homem na sua busca de respostas às questões mais profundas da vida, e respeito pela ação do Espírito, nesse mesmo homem?.” (RMi 29).

É preciso incentivar e alimentar o espírito do diálogo ecumênico em todos os católicos. A dimensão ecumênica é parte fundamental para a vivência do Evangelho. É a busca da unidade na pluralidade. Para acontecer o diálogo, precisamos abrir o coração para o encontro com o diferente e evitar o fanatismo, o fundamentalismo; precisamos conhecer mais profundamente a cada denominação religiosa, e juntos buscar os pontos de unidade. Entre todos, precisamos manter a unidade, na busca da justiça e na construção da fraternidade universal. Por outro lado, é preciso ter clareza de nossa identidade de fé católica, para que, com serenidade e firmeza possamos dialogar, sem ceder às confusões e misturas superficiais. Além de buscar os pontos que nos unem, é necessário vivenciar a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e criar novos espaços e momentos de comunhão.