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40 anos da morte de Paulo VI

40 anos da morte de Paulo VI

40 anos da morte de Paulo VI: criador da Diocese de Caçador

Era um domingo, 6 de agosto de 1978. Em Castel Gandolfo, na residência de verão dos Papas, o relógio marcava 21h40. Giovanni Battista Montini, Paulo VI, 262º sucessor de Pedro, morreu como tinha desejado: Ele pediu a Deus que lhe permitisse uma despedida na solidão e lhe foi concedido. Não só isso. Paulo VI morreu em um dia carregado de significado simbólico, o dia da Transfiguração: uma festa que ele amou a ponto de ter escolhido, em 1964, para publicar sua primeira encíclica, a ” Ecclesiam Suam”.

Ele foi o primeiro papa do século XX a atravessar as fronteiras italianas. Depois de 2000 anos, ele fez Pedro retornar à Terra Santa. Ele viajou para a África, América, Oceania e Austrália, Ásia, quase aos portões da China. Ele foi o primeiro pontífice para fazer um discurso nas Nações Unidas. Mas o título mais importante que podemos lhe atribuir é: O papa do Concílio Vaticano II. Não somente porque deu continuidade ao Concílio convocado por João XXIII, mas  porque iniciou a sua aplicação, introduzindo a Igreja .

O papa Paulo VI tem uma grande importância para nossa Igreja Particular, pois foi ele que acolheu o pedido dos bispos catarinenses, e através da Bula Ut Suorum fidelium de novembro de 1968, criou a Diocese de Caçador.

A memória litúrgica de Paulo VI é celebrada em 26 de setembro, o dia em que nasceu. Ele será canonizado pelo Papa Francisco no próximo dia 14 de outubro junto a Dom Oscar Romero.   Compartilhamos um álbum de fotos em sua memória, e disponibilizamos o belíssimo texto de seu Testamento Espiritual, tornado público dias depois de sua morte.

TESTAMENTO ESPIRITUAL DO PAPA PAULO VI

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.

1 — Fixo o olhar no mistério da morte e daquilo que a segue, à luz de Cristo, o único por quem ela é esclarecida; e por isso faço-o com humilde e serena confiança. Reparo na verdade deste mistério, que para mim sempre se refletiu sobre a vida presente, e bendigo o vencedor da morte por haver afugentado as trevas e manifestado a luz.

Por isso diante da morte, total e definitivo desprendimento, sinto o dever de celebrar o dom, a felicidade, a beleza e o destino desta mesma fugaz existência: Senhor, agradeço-Te por me haveres chamado à vida, e ainda mais porque, fazendo-me cristão, me regeneraste e destinaste à plenitude da vida.

De igual modo sinto o dever de agradecer e de abençoar quem para mim foi transmissor dos dons da vida, os quais, da Tua parte, Senhor, me foram distribuídos: quem na vida me introduziu (oh sejam benditos os meus digníssimos Pais!), quem me educou, me quis bem, me beneficiou, me ajudou e rodeou de bons exemplos, de cuidados, de afecto, de confiança, de bondade, de afabilidade, de amizade, de fidelidade e de fineza. Olho com reconhecimento para as relações naturais e espirituais que deram origem, assistência, conforto e significado à minha humilde existência: quantos dons, quantas coisas belas e altas, quanta esperança recebi neste mundo ! Agora que a jornada acaba, e que, desta estupenda e dramática cena temporal e terrena, tudo termina e se desfaz, como agradecer-Te, ó Senhor, depois da vida natural, aquele outro dom, ainda superior, da fé e da graça, em que afinal unicamente se refugia o que resta do meu ser? Como celebrar dignamente a tua bondade, Senhor, por me ver introduzido, apenas entrei na terra, no mundo inefável da Igreja católica? como também por haver sido chamado e iniciado no Sacerdócio de Cristo? como ainda por ter experimentado a alegria e a missão de servir as almas, os irmãos, os jovens, os pobres e o povo de Deus, e a imerecida honra de ser ministro da santa Igreja, especialmente em Roma ao lado do Papa, depois em Milão como Arcebispo, sobre a cátedra, para mim demasiadamente alta e venerabilíssima, dos Santos Ambrósio e Carlos, e finalmente sobre esta, suprema, formidável e santíssima, de São Pedro? Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor.

Recebam saudação e bênção todos aqueles que encontre! na minha peregrinação terrena; os que foram meus colaboradores, conselheiros e amigos — e tantos foram, e tão bons, generosos e queridos! Benditos os que acolheram o meu ministério, que foram meus filhos e irmãos no Senhor!

Para vós, Lodovico e Francesco, irmãos de sangue e de espírito, e a vós, caríssimos, todos os da minha casa, que nada pedistes, nem de mim recebestes favores terrenos, que sempre me tendes dado exemplo de virtudes urbanas e cristãs, me compreendestes com tanta discrição e cordialidade, e sobretudo me ajudastes a procurar na vida presente o caminho para a vida futura — vá a minha paz e a minha bênção.

Entretanto, o pensamento volta-se e alarga-se em redor; bem sei que não seria feliz despedida, se não me recordasse do perdão, que devo pedir, a quantos haja ofendido e não servido, não amado suficientemente; e se não me recordasse do perdão que alguém desejasse de mim. Que a paz do Senhor esteja conosco.

E sinto que a Igreja me circunda: a Santa Igreja, una, católica e apostólica, recebe, com a minha saudação de aplauso, o meu supremo ato de amor.

Para ti, Roma, diocese de São Pedro e do Vigário de Cristo, diletíssima para este último servo dos servos de Cristo, a minha bênção mais paternal e mais plena, para que tu, Urbe do Orbe, sejas sempre consciente da tua misteriosa vocação, e quer com as virtudes humanas, quer com a fé cristã, saibas corresponder, por longa que seja a história do mundo, à tua espiritual e universal missão.

E para Vós todos, Venerados Irmãos no Episcopado, a minha cordial e reverente saudação; estou convosco na única fé, na mesma caridade, no comum empenho apostólico, no solidário serviço do Evangelho, para a edificação da Igreja de Cristo e para a salvação da humanidade inteira. Para todos os Sacerdotes, para os Religiosos e Religiosas, para os Alunos dos nossos Seminários, para os Católicos fiéis e militantes, para os jovens, para os que sofrem, para os pobres, para os que procuram a verdade e a justiça, para todos, a bênção do Papa que morre.

E assim, com particular reverência e reconhecimento aos Senhores Cardeais e a toda a Cúria romana: diante de vós que me rodeais mais de perto, professo solenemente a nossa Fé, declaro a nossa Esperança, celebro a Caridade que não morre, aceitando humildemente da vontade divina a morte, a mim destinada, invocando a grande misericórdia do Senhor, implorando a clemente intercessão de Maria Santíssima, dos Anjos e dos Santos, e recomendando a minha alma ao sufrágio dos bons.

2 — Nomeio a Santa Sé meu herdeiro universal: obrigam-me a isto o dever, a gratidão, o amor. Exceptuo as disposições abaixo indicadas:

3 — Seja executor testamentário o meu Secretário particular. Haverá por bem aconselhar-se com a Secretaria de Estado e pôr-se de acordo com as normas jurídicas vigentes e com os bons usos eclesiásticos.

4 — Acerca das coisas deste mundo: proponho-me morrer pobre e simplificar assim toda a questão a este propósito.

Quanto a coisas móveis e imóveis de minha propriedade pessoal, que ainda tenha de proveniência familiar, delas disponham os meus Irmãos Lodovico e Francesco livremente; peço-lhes alguns sufrágios pela minha alma e pelas dos nossos Defuntos. Queiram dar algumas esmolas a pessoas necessitadas ou a obras boas. Conservem para si e dêem a quem merece e deseja alguma, recordação das coisas ou dos objetos religiosos ou dos livros que me pertencem. Destruam notas, cadernos, correspondência e escritos meus pessoais.

Das outras coisas que se podem dizer minhas próprias: disponha, como executor testamentário, o meu Secretário particular, conservando algumas recordações para si e dando às pessoas mais amigas alguns pequenos objetos como recordação. Agradeceria fossem destruídos manuscritos e notas de minha mão; e que da correspondência recebida, de carácter espiritual e reservado, fosse queimado tudo o que não era destinado ao conhecimento alheio.

No caso de o executor testamentário não poder ocupar-se disto, queira tomar o encargo a Secretaria de Estado.

5 — Recomendo vivamente que se façam disposições para os sufrágios convenientes e para generosas esmolas, quanto for possível.

A respeito do funeral: seja piedoso e simples. (Tire-se o catafalco agora em uso para as exéquias pontifícias, substituindo-o por estrado humilde e decoroso).

O túmulo: desejaria que fosse no interior da terra, com humilde sinal a indicar o lugar e convidar à cristã piedade. Nada de monumentos para mim.

6 — E a respeito do que mais conta, despedindo-me da cena deste mundo e encaminhando-me para o julgamento e a misericórdia de Deus: tantas coisas teria para dizer, tantas. Sobre o estado da Igreja: preste ela atenção a algumas palavras nossas, que para ela pronunciámos com gravidade e amor. Sobre o Concílio: cuide-se de o levar a boa execução e proveja-se para lhe realizar fielmente as prescrições. Sobre o Ecumenismo: continue-se a obra de nos aproximarmos dos Irmãos separados, com muita compreensão, muita paciência e grande amor; mas sem nos afastarmos da verdadeira doutrina católica. Sobre o mundo: não se julgue que é ajudá-lo adotar-lhe os pensamentos, os costumes e os gostos, mas sim estudá-lo, ama-lo e servi-lo.

Fecho os olhos para esta terra dolorosa, dramática e magnífica, chamando uma vez mais sobre ela a divina Bondade. Abençoo ainda a todos. A Roma especialmente, a Milão e a Bréscia. Para a Terra Santa — a Terra de Jesus, aonde fui como peregrino de fé e de paz — uma saudação especial de bênção.

E para a Igreja, para a diletíssima Igreja católica e para a humanidade inteira, a minha bênção apostólica.

Por fim: nas Tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

Eu: Paulo PP. VI.

Dado em Roma, junto de São Pedro, aos 30 de Junho de 1965, ano III do nosso Pontificado.

 

Notas complementares ao meu testamento

Nas tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito.

A minha alma louva o Senhor. Maria!

Creio. Espero, Amo. Em Cristo.

Agradeço reconhecido a quantos me fizeram bem.

Peço perdão a quantos eu não tenha feito bem. A todos dou a paz no Senhor.

Saúdo o caríssimo Irmão Lodovico e todos os meus familiares, parentes e amigos, e quantos acolheram o meu ministério. A todos os colaboradores, o meu obrigado. À Secretaria de Estado especialmente.

Abençoo com especial caridade Bréscia, Milão, Roma e a Igreja inteira. Quão amáveis os teus tabernáculos, Senhor!

Tudo o que é meu seja pertença da Santa Sé.

Procure o meu Secretário particular, o querido D. Pasquale Macchi, determinar alguns sufrágios e alguns atos de beneficência e, entre os livros e objectos que me pertencem, destinai alguns, como recordação, para si e para as pessoas queridas.

Não desejo nenhum sepulcro especial.

Algumas orações para que Deus use comigo de misericórdia.

Esperei em Ti, Senhor. Ámen, aleluia.

Para todos a minha bênção em nome do Senhor.

PAULUS PP. VI

Castel Gandolfo, 16 de Setembro de 1972, às 7h.30m.

Aditamento às minhas disposições testamentárias

Desejo que o meu funeral seja simplicíssimo e não desejo nem túmulo especial nem qualquer monumento. Alguns sufrágios (atos de beneficência e orações).

PAULUS PP. VI

14 de Julho de 1973

 

Author: diocesedecacador